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Muitos acontecimentos nesses últimos dois meses. Bons e ruins. O tal chamado inferno astral existe mesmo? Acho que sim, afinal essa semana foi um inferno. MAAASS como não criei blogue para reclamar da vida e fazer diário cibernético – o que particularmente acho muito MUITO chato – resolvi escrevinhar aqui algumas linhas sobre os últimos filmes vistos e revistos nos últimos dias. Uma pilha de avi’s só ficava aqui, me olhando, os pobres cds diziam “vamos… assista-me”. Resolvi tomar vergonha na cara e mandei ver.
Estou viciado VICIADO em filmes de ação/policial dos anos 70, principalmente os americanos e italianos (onde mais tem os melhores destes gêneros, não é mesmo?), mas não assisti sequer a 1/3 deles.
Pra começar, o de Ruggero “Cannibal Holocaust” Deadato, Uomini si Nasce, Polizziotti si Muore, de 1976, um estrondo nas bilheterias da época, com dois galãs em evidência daquele período: Ray Lovelock e o francês Marc Porel, que morreu com apenas 34 anos, no auge da carreira e da beleza, vítima de meningite no Marrocos (meda). Comparado aos outros policiais carcamanos da época e com o que Deodato viria a fazer anos depois com o derradeiro Cannibal Holocaust, esse policial chega a ser inocente até. Os galãs interpretam policiais que fazem a lei a seu modo, atropelando a preguiça das autoridades e, claro, sempre saindo bem sucedidos em assaltos, desarmamentos etc. Mas ponto positivo para Deodato na maravilhosa perseguição de moto nos primeiros dez minutos do filme, algo que até lembra a perseguição de carros em Violent City, de Sergio Sollima, com Buchinsky como protagonista.
Li em alguns lugares, inclusive no Xploited Cinema, que rola, indiretamente, uma atração entre os policiais. E, na boa… tem que ser muito cego ou inocente pra não perceber que esses dois faziam troca-troca. Moram juntos, compartilham a mesma “paquera” (e nunca concretizam o fato), e arrancam a roupa duma sueca peituda e fazem o quê? Um pisca pro outro. Tsc, tsc.
Entre a avalanche de diretores de giallo nos 70, tenho um carinho muito grande por Sergio Martino, principalmente depois de assistir ao perverso Torso, que influenciou uma renca de posteriores filmes e diretores. Ainda me faltava ver esse Lo Strano Vizio Della Signora Wardh, protagonizado pela escandalosamente linda Edwige Fenech. Casada com um empresário, ela volta para Viena após passar uma temporada em Nova York. Nos jornais, destaque para uma onda de assassinatos de mulheres, retalhadas a navalha por um sádico psicótico (giallo puro). E o tal vício da Sra. Wardh, ao que tudo indica, é um relacionamento com um antigo amante que resolve persegui-la. E é claro que ela começa a ser perseguida pelo assassino, incluindo ligações exigindo dinheiro em troca do silêncio da traição ao marido, mais assassinatos e perseguições. Mas de todos os giallos de Martino, esse tem o desfecho que mais me surpreendeu. Uma beleza de filme.
Do país da bota para a América, vem este ESTRANHÍSSIMO policial que há tempos queria ver mas nunca havia encontrado em divx: Electra Glide in Blue, dirigido por William Guercio, produtor musical dos anos 70, conhecido principalmente por trabalhar com o Chicago. Pode-se dizer que o filme é uma espécie de Easy Rider às avessas. Enquanto o famoso road movie promulgava a liberdade e o desapego aos tacanhos costumes morais americanos, Electra Glide in Blue tem, como protagonista, um policial linha dura (Robert Blake, PERFEITO) que passa os dias em cima da motoca Electra Glide canetando qualquer um que insista em voar em alta velocidade nas estradas do Arizona – mesmo que seja um investigador policial da Califórnia – ou um melancólico caminhoneiro que apenas quer entregar sua carga a tempo e faz um “atalho” numa rodovia onde caminhões não são permitidos.
Mas Big John tem um problema. Apesar do apelido, é muito baixinho. E seu sonho é ser investigador policial. Quando surge um suposto suicídio, ele aproveita a oportunidade de tentar realizar seu sonho, mas aí as coisas não saem como ele tanto almejava. E é a partir deste ponto que o filme dá uma reviravolta. Até então, Electra Glide in Blue é um simples filme policial anos 70 com excelentes diálogos ácidos e divertidíssimos (o que é aquela conversa sobre a altura de Alan Ladd?). Depois, quando os sonhos de Big John começam a desabar, o filme toma um rumo cada vez mais e mais melancólico, com um final genial, mas BRUTAL, que conseguiu me deixar com insônia. Hoje, o filme é considerado um dos maiores cult movies dos anos 70, e este é, sem dúvida, o melhor papel de Robert “Baretta” Blake. Filmaço.
Também dos 70, O Ocaso de uma Estrela é a cinebiografia de Billie Holiday. Para quem não conhece a vida desta sofrida e espetacular mulher, aí vai um resumo: filha de pais adolescentes, Billie nasceu em 1915, em Baltimore. Com seis anos, já trabalhava como doméstica. Aos oito, acordou com a bisavó morta em seus braços. Aos dez, violentada por um homem de 40. Trancafiada num internato, teve como maior punição passar a noite no quarto escuro com o cadáver de uma menina. Aos doze, já em NY e trabalhando como prostituta, recusa um cliente e vai pra cadeia, onde apanhou de uma lésbica por não aceitar os devaneios desta.
De toda essa fase medonha da vida de Billie, o filme só mostra o estupro na infância. Depois, já foca em sua fase quase adulta, na sua vida como prostituta, passando pelo fato de como foi descoberta como cantora até o auge como grande diva do jazz. Mas nada mesmo para Billie foram flores. Uma vida amorosa tenebrosa e o vício em heroína mataram a mataram aos 44 anos, pobre e com a alma aos frangalhos.
O filme não acompanha 1/3 da intensidade de tantas desgraças. Como toda cinebiografia que se preze, tudo é “afofado” ao gosto do espectador. Nos 70, Diana Ross era uma estrela que eclodia na dance music nos quatro cantos do mundo. De certa forma, isso contribuiu para o estrondoso sucesso do filme na época, mas por mais que tudo seja emoldurado ao gosto do público, com uma dose até excessiva de glicose, Diana Ross faz jus à importância de Billie Holiday e segura o papel com garra e interpreta (sim, interpretar é além de cantar) as músicas com louvor, tanto que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 1973. Fora isso, nada mais atrai. O único ponto alto do filme e de destaque é o dia em que vê um negro enforcado em uma árvore enquanto sua família chora em volta. É daí que surge a dolorosa e destruidora (mas fodassa) “Strange Fruit”. E ainda conseguiram fazer uma espécie de “happy end” emoldurado, com Billie ovacionada no Carnegie Hall, sendo que, depois disso, muitos fatos tristes viriam ocorrer com ela. Mas como é Hollywood…
E aqui estão os próximos filmes a serem vistos/revistos:


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bonito esse header hein?
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até!
Comentário por André Agosto 9, 2008 @ 6:54 pm